
O lacrimejamento é uma queixa comum no pós-operatório, mas é fundamental saber diferenciar o que é esperado da recuperação de um sinal de alerta.
O lacrimejamento excessivo é um sintoma comum após a cirurgia de catarata e, na maioria das vezes, é temporário. Apesar de causar incômodo, ele costuma fazer parte da resposta natural do olho durante o período de recuperação.
Uma das causas mais frequentes é a sensação de olho seco provocada pela própria cirurgia: quando a superfície ocular fica mais seca ou irritada, o organismo reage produzindo mais lágrimas como forma de proteção e compensação. O processo de cicatrização da pequena incisão feita durante a cirurgia pode aumentar a sensibilidade do olho, assim como a maior sensibilidade à luz nos primeiros dias. O uso contínuo de colírios no pós-operatório também pode interferir no equilíbrio da superfície ocular e influenciar o padrão de produção e drenagem das lágrimas.
Embora geralmente seja esperado, o lacrimejamento persistente ou associado a outros sintomas merece atenção. Dor intensa, piora repentina da visão ou presença de secreção podem indicar complicações, como alterações na drenagem lacrimal ou infecção, e exigem avaliação médica imediata.
Por que o olho lacrimeja depois da cirurgia de catarata?
O aumento do lacrimejamento após a facectomia (nome técnico da cirurgia de catarata) é uma resposta do olho ao processo cirúrgico. Ele acontece por diferentes mecanismos relacionados à cicatrização da superfície ocular, alterações temporárias do filme lacrimal e maior sensibilidade no período de recuperação.
O uso de colírios no pós-operatório também pode contribuir em alguns casos, já que pode interferir temporariamente no equilíbrio da drenagem das lágrimas, favorecendo o acúmulo e o lacrimejamento excessivo durante o tratamento.
Síndrome do olho seco paradoxal
A causa mais frequente do lacrimejamento excessivo é o chamado olho seco paradoxal. Durante a cirurgia, a superfície ocular é manipulada e pequenas incisões são realizadas, o que pode alterar temporariamente a qualidade do filme lacrimal responsável pela lubrificação do olho.
Como resposta a esse ressecamento, o organismo aumenta a produção de “lágrimas reflexas”. Essas lágrimas são mais aquosas e menos eficientes na lubrificação, o que mantém a sensação de olho seco e estimula ainda mais a produção lacrimal, criando um ciclo de lacrimejamento.
Processo de cicatrização da incisão cirúrgica
A microincisão realizada para a retirada da catarata e implantação da lente intraocular, embora pequena, representa um trauma para o tecido ocular. Durante a cicatrização, pode ocorrer leve irritação da córnea, o que estimula a produção de lágrimas como mecanismo de proteção e limpeza.
Sensibilidade aumentada à luz
Nos primeiros dias após a cirurgia, é comum haver maior sensibilidade à luz. Isso acontece porque a nova lente intraocular permite maior entrada de luminosidade do que o cristalino opaco permitia antes, além de alterações temporárias na adaptação visual. Essa fotossensibilidade pode desencadear o lacrimejamento como resposta reflexa.
Esse lacrimejamento é considerado normal?
Na maioria dos casos, o lacrimejamento após a cirurgia de catarata é esperado e faz parte da recuperação. Geralmente, ele vem acompanhado de outros sintomas leves e temporários, como:
- leve sensação de areia ou corpo estranho no olho
- vermelhidão discreta
- visão embaçada ou flutuante nos primeiros dias
- sensibilidade à luz
Esses sintomas tendem a melhorar progressivamente conforme ocorre a cicatrização, especialmente com o uso correto dos colírios prescritos e acompanhamento oftalmológico adequado.
Como aliviar o desconforto do olho lacrimejante em casa?
O lacrimejamento após a cirurgia de catarata é uma resposta comum durante o processo de cicatrização e tende a reduzir gradualmente conforme o olho se recupera. Algumas medidas simples ajudam a diminuir a irritação e proporcionar mais conforto nesse período.
Alguns cuidados essenciais fazem diferença no controle do sintoma:
- colírios prescritos: o uso correto dos colírios, nos horários e na dosagem indicados pelo oftalmologista, ajuda a controlar a inflamação, prevenir infecções e manter a superfície ocular mais estável e lubrificada, reduzindo o excesso de lágrimas reflexas.
- higiene ocular: evitar tocar ou esfregar os olhos e manter as mãos limpas antes de qualquer aplicação de medicação reduz o risco de irritação e de contaminação da área operada, contribuindo para uma recuperação mais segura.
- proteção externa, uso de óculos escuros com proteção UV ajuda a diminuir a sensibilidade à luz e também protege o olho operado contra vento, poeira e partículas suspensas no ar, que podem aumentar o lacrimejamento e o desconforto.
Essas medidas não interferem no processo natural de cicatrização, mas ajudam a tornar a recuperação mais confortável enquanto o olho se adapta e estabiliza.
Quais são os sinais de alerta que exigem atenção médica imediata?
Após a cirurgia de catarata, alguns sintomas leves são esperados durante a recuperação. Ainda assim, existem sinais que fogem do padrão normal e podem indicar complicações como infecção ocular ou aumento da pressão intraocular. Nesses casos, a avaliação médica deve ser feita sem demora.
Entre os sinais que merecem atenção estão alterações que fogem do padrão esperado no pós-operatório e podem indicar necessidade de avaliação médica mais cuidadosa:
- dor intensa diferente de um leve desconforto esperado no pós-operatório, sendo contínua e sem melhora com analgésicos comuns
- vermelhidão forte que, em vez de diminuir com o passar dos dias, tende a aumentar ou permanecer intensa
- piora da visão com redução súbita da nitidez, perda visual ou aumento de manchas no campo de visão
- secreção amarelada ou esverdeada com aspecto espesso, sugestivo de infecção lacrimejamento persistente excesso de lágrimas associado a dor, secreção ou piora visual, podendo indicar obstrução na drenagem lacrimal e exigindo avaliação médica
Quanto tempo dura o lacrimejamento após a cirurgia?
A duração do lacrimejamento varia de pessoa para pessoa e depende da resposta individual à cirurgia e ao processo de cicatrização. Na maioria dos casos, há uma melhora progressiva nas primeiras duas a quatro semanas, conforme o olho se recupera e a superfície ocular volta ao equilíbrio. Em algumas situações, especialmente quando já existe olho seco mais acentuado, o sintoma pode persistir por um período mais prolongado.
O acompanhamento com o oftalmologista é importante para avaliar a evolução da recuperação e ajustar o tratamento quando necessário, ajudando a identificar qualquer alteração de forma precoce e garantir uma recuperação mais segura e estável da visão.
Em unidades de saúde hospitalares, como o Hospital Nossa Senhora do Carmo, a avaliação médica ao longo do pós-operatório contribui para um controle mais próximo da evolução clínica e para a orientação adequada de cada fase da recuperação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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